9 de fev de 2011



(Livre Adaptação do texto
original de Ricardo Gondim)

TEMPO QUE FOGE!


Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver 
daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquele 
menino que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ele 
chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados. 
Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir 
quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.

Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos.
Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos 
para reverter a miséria do mundo. Não quero que me convidem 
para eventos de um fim de semana com a proposta de abalar o milênio.

Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir
estatutos, normas, procedimentos e regimentos internos.  
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, 
que apesar da idade cronológica, são imaturos.

Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões
de 'confrontação', onde 'tiramos fatos a limpo'. 
Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo 
majestoso cargo de secretário geral do coral.
Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: “as pessoas 
não debatem conteúdos, apenas os rótulos”. 
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a 
essência, minha alma tem pressa...
Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente 
humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta
com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não 
foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos lizados, 
e deseja tão somente andar ao lado do que é justo.

Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, desfrutar desse
amor absolutamente sem fraudes, nunca será perda de tempo.
O essencial faz a vida valer a pena.


O texto original foi publicado
In, “Creio, mas tenho Dúvidas”,
Editora Ultimato, MG - Brasil
© Ricardo Gondim
E o original pode ser lido no site:
http://www.ricardogondim.com.br/

Portanto, na esperança de que seja feita justiça, esse texto
não é da autoria de MÁRIO DE ANDRADE ou RUBEM ALVES
como circula na internet.


3 comentários:

Carol Timm disse...

Querido Amigo,

Você é a prova de que ainda há tempo e é SEMPRE tempo de poesia!

Espero que seu dia tenha sido feliz... e iluminado por toda a poesia que ronda e encanta a sua vida.

Beijos,
Carol

Rose disse...

Que a VIDA, que se renova diariamente, possa ser colhida por seu coração como algo essencial!... E que seja plena!...
Um abraço carinhoso!
Rose

Celia disse...

Adorei a comparação com a bacia de jabuticabas...
e a frase do Mario de Andrade sobre conteúdo X rótulos.
Tão verdadeiro...
bj